Nesta terça-feira, 6 de fevereiro, o deputado federal Luis Carlos Heinze, juntamente com o deputado Ronaldo Benedet (PMDB/SC),  se reuniu com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles,  para tratar das dificuldades que os produtores de arroz, trigo e leite têm passado por conta de assimetrias comerciais com países do Mercosul.  Por sugestão do ministro, os parlamentares irão encaminhar, em nome das associações dos arrozeiros, um pedido para que o tema seja discutido também pela Câmara de Comércio Exterior – Camex – para buscar soluções para o assunto.

O parlamentar informou ao ministro que 90% do arroz e do trigo do Brasil é produzido nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina e 50% de todo o leite consumido no país é oriundo da Região Sul. “Estes estados sofrem com a concorrência desleal de países como Argentina, Paraguai e Uruguai, por conta dos custos de produção muito mais baixos que os brasileiros” explica Heinze 
Além disso, a alta carga tributária acentua ainda mais o problema. “Temos estudos que mostram que 30% do saco de arroz dentro da porteira do produtor, 31% de um litro de leite e 26% de um saco de trigo, são somente de impostos estaduais e federais”, critica. 

Segundo o deputado, não é justo que o Brasil possa importar arroz, trigo e leite do Mercosul, mas os produtores rurais não possam ter acesso a fertilizantes, defensivos, combustíveis, peças e máquinas dos países vizinhos, que custam, em alguns casos, até 400% menos do que o mesmo produto em território nacional  que, muitas vezes, é fabricado no Brasil. “O diesel, por exemplo, produzido na Petrobrás em solo brasileiro, é encontrado nestes países por preços muito mais baixos do que o que é pago por nós produtores brasileiros”, reforça o progressista gaúcho.

O deputado Luis Carlos Heinze pediu ao ministro a real abertura do Mercosul para a compra de produtos. “Com essa situação, nós pedimos ao ministro que possamos comprar estes insumos dos nossos vizinhos, da mesma forma com que arroz, trigo e leite são importados para o nosso território. Com isso, nos tornaríamos mais competitivos no mercado”, sugere.  

O documento a ser encaminhado à Camex já será providenciado nos próximos dias e será protocolada em nome das entidades representativas dos produtores: Federarroz - Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul -, Fetag - Federação dos Trabalhadores da Agricultura no Rio Grande do Sul -, Farsul – Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul -, Irga - Instituto Riograndense do Arroz -, e suas co-irmãs dos outros estados.