Nem sempre tecnologia e política agrícola andam juntas. Os produtores já conseguem saber se o ano será de La Niña ou El Niño, mas ainda faltam medidas que protejam a lavoura de possíveis perdas. Quando o clima ajuda e os preços indicam uma boa comercialização, o tema seguro agrícola desaparece das discussões, se dilui na euforia de uma safra positiva. Não deveria ser assim.

A agricultura é um negócio de alto risco. Para que o mercado de seguros deslanche, o Congresso precisa aprovar o Fundo de Catástrofe. A proposta seria uma forma de incentivar empresas seguradoras e resseguradas a apostarem neste negócio. A lógica é a seguinte: com uma oferta maior, os preços dos seguros também pode ficar mais acessíveis.

– O produtor precisa incluir o seguro agrícola como parte de seus custos – afirma o vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto.

Guedes lembra que na safra 2008/2009, 62% dos agricultores que tiraram custeio no banco fizeram seguro. Estes tiveram o risco calculado em 1,9%, com direito a taxas menores e volumes maiores. Não há, porém, uma cultura entre os produtores nem um mercado aquecido no Brasil. Ainda faltam regras claras, mais estímulo e uma boa dose de precaução.

Na próxima quarta-feira, a Comissão de Agricultura da Câmara se reúne com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), o assunto é o Fundo Garantidor para a agricultura, uma opção para cobrir a classificação de risco dos produtores.

CAMPO&POLÍTICA | CAROLINA BAHIA