Entre as principais reivindicações, produtores do grão pedem mais parceria do futuro governo federal

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja e a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) elaboraram nesta sexta-feira (23/5), e enviarão na semana que vem, aos possíveis candidatos à Presidência da República e candidatos representativos do setor agrícola, um documento denominado “Carta da Soja”. No conteúdo, constam reivindicações dos produtores de grãos, que vão desde a desburocratização dos processos de acesso ao crédito rural até questões jurídicas, como o Código Florestal.

Fabrício Rosa, representante da Aprosoja/MT, explicou, durante o 4º Clube da Soja/FMC, que acontece em Florianópolis (SC), que o documento contempla itens que são prioridades para o desenvolvimento do agronegócio, não somente na cadeia da soja, mas para outras culturas e a pecuária de corte e de leite. “São inúmeros pontos que devem ser trabalhados, sobretudo, em parceria entre o setor rural e o governo federal”, disse.

A Carta da Soja tem 23 itens, segundo Rosa. “É um setor que tem uma significativa relevância social e econômica. Portanto, tem um apelo político muito forte que deve ser levado em consideração em prol da sociedade brasileira”.

Entre os principais itens reivindicados pelos agricultores estão: logística e infraestrutura, incluindo a construção de eclusas nos rios brasileiros para torna-los navegáveis; agilidade nos processos de licenciamento ambiental; mais recursos para o Programa de Construção de Armazéns (algo em torno de R$ 67 bilhões em 10 anos); apoio à comercialização de grãos (R$ 5,4 bilhões); desburocratização do acesso ao crédito oficial, especialmente quanto ao custeio da produção; seguro rural e um modelo mais eficiente para o produtor e itens que contemplam a defesa sanitária e vegetal.

O deputado Luis Carlos Heinze também participa do 4º Clube da Soja apoiou a iniciativa do setor. “É fundamental que o setor agrícola trabalhe em uma parceria afinada com o governo federal, mas isto não está acontecendo com eficiência. Melhoramos bastante em muitos setores, mas precisamos avançar e desburocratizar muitos processos”, diz. Um dos pontos mais defendidos pelo deputado foi a desburocratização do acesso ao crédito. “Mais de 40% dos produtores rurais não conseguem acessar os recursos disponíveis devido ao excesso de burocracia”.

A carta da soja ainda traz solicitações em relação ao setor de biocombustíveis, principalmente o desenvolvimento e produção do etanol de milho e biodiesel, tributações e a implementação das práticas de plantio direto e irrigação. “São as práticas conservacionistas que precisam de condições melhores para serem implementadas e desenvolvidas plenamente. No caso da irrigação, pedimos a simplificação das outorgas”, afirmou.