Volume de recursos do Plano Safra aumentou 14,7%, mas taxa das linhas de custeio subiu em média um ponto percentual

Ao mesmo tempo em que ampliou o volume de recursos em 14,7%, o Plano Agrícola e Pecuário da safra 2014/2015, anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff, teve um aumento de em média um ponto percentual nos juros, o que desagradou produtores. O volume total de recursos disponibilizados é de R$ 156,1 bilhões, sendo R$ 112 bilhões para financiamento de custeio e comercialização e R$ 44,1 bilhões para os programas de investimento. Enquanto isso, a taxa de juros nas linhas de custeio e comercialização, que tem o maior volume de crédito tomado, subiu de 5,5% para 6,5% ao ano.

O ministro da Agricultura, Neri Geller, argumentou que as taxas dos programas do Plano Safra tiveram um crescimento inferior ao da Selic, que era de 7,5% em abril de 2013 e hoje está em 11%. Uma das novidades foi a reativação do Moderfrota, criado havia dez anos e voltado a financiar a aquisição de máquinas agrícolas novas com taxas de 4,5%. O Moderinfra teve aumento dos limites de crédito individuais, de R$ 1,3 milhão para R$ 2 milhões, e coletivos, de R$ 4 milhões para R$ 6 milhões. Em relação ao Seguro Rural, os recursos foram mantidos em R$ 700 milhões. A presidente Dilma informou que o governo vai garantir recursos adicionais caso a demanda supere o valor disponibilizado. ‘Vamos dar sempre prioridade aos investimentos em favor do aumento dessa produtividade que se traduz em melhoria da competitividade para o Brasil em relação aos demais produtores de alimentos’, disse a presidente.

A expectativa é de que 20% dos recursos anunciados ontem sejam destinados ao Rio Grande do Sul. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, ressaltou que, com o aumento de um ponto percentual nos juros, o custo do dinheiro do financiamento sobe 18%, o que, segundo ele, pode afetar a competitividade da agricultura nacional. ‘Levamos muito tempo para chegar a ter taxas civilizadas e compatíveis com outros países para a agropecuária e nosso temor é perdermos essa conquista’, afirmou.

Para o presidente da Fecoagro/RS, Paulo Pires, o Plano Safra tem pontos positivos, como o aumento do volume de recursos em quase 15% e a atenção dada aos médios produtores. No entanto, considera tímida a proposta para o Seguro Agrícola. ‘Não cobre uma área muito expressiva. O seguro é um grande anseio do RS’, destacou. De acordo com ele, o aumento dos juros pode frear investimentos, principalmente das cooperativas que estavam investindo em armazenagem. ‘Vai desestimular um pouco. Mas não acredito que vá afetar o desempenho da agropecuária.’ O presidente da Aprosoja-RS, Décio Lopes Teixeira, elogiou a reativação do Moderfrota, mas disse que o momento é de cautela para o produtor. ‘É hora de conter as compras em função da redução de renda’, advertiu. Segundo o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Luis Carlos Heinze, o acesso ao crédito é um dos pontos que ainda preocupam. Para ele, a taxa de juros poderia ter sido mantida, uma vez que ‘quem está segurando a inflação são os alimentos’. No RS, as culturas do arroz e da soja são as que mais tomam crédito.