Atendendo a pedido do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) adiou, desta quinta-feira (08/11) para a sexta-feira (09/11), dois leilões de comercialização de estoques para reavaliar os preços de abertura. A oferta é 81,2 mil toneladas de arroz, com lotes de safras velhas em preços até 60% abaixo do mercado. O adiamento responde à pressão do setor produtivo, que reagiu imediatamente.
 
Os avisos 409/12 e 410/12 colocariam no mercado 72 mil toneladas no Rio Grande do Sul e 9 mil/t de Santa Catarina. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Renato Rocha, o vice-presidente Daire Coutinho, e o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP/RS), tiveram um dia intenso de articulações junto ao MAPA. A média de preços da saca no RS, no leilão da Conab, seria de R$ 28,20, quando o mercado está acima de R$ 38,00. “O edital não diz que o produto tem problemas de qualidade e se torna um instrumento pra derrubar as cotações”, destaca Rocha.
 
Para os arrozeiros, mais uma vez a sensibilidade do ministro Mendes Ribeiro Filho foi determinante em evitar um sério revés ao setor, capaz de comprometer o esforço político e setorial que envolve a cadeia produtiva e o governo pela recuperação nos preços do arroz de uma crise de comercialização sem precedentes. “O ministro evitou que o governo atirasse no pé e atingisse a orizicultura”, diz Rocha.
 
Segundo o presidente da Federarroz, a Conab usa uma tabela de deságio que não corresponde ao atual contexto da comercialização. “É decisão política. Arroz de lotes iguais aos carregados a R$ 39,00 no leilão anterior estavam no edital a R$ 28,00, uma redução absurda”, frisa. Renato Rocha acha que este comportamento indica que a Conab está forçando a venda a qualquer preço, pouco interessando o risco ao mercado. “No primeiro leilão a empresa já tentou entrar abaixo do mercado”, recorda.
 
Para o setor a ação é equivocada: “Jogam 80 mil toneladas semanais num mercado abastecido. Sobram 80% da oferta, e eles voltam em 15 dias com deságio enorme para se livrar do estoque, pouco importando se afetará o mercado. Isso compromete todo o trabalho do governo. A equipe do ministro trabalha pra sanar os problemas e a Conab para aumenta-los”, argumenta Daire Coutinho, vice-presidente da Federarroz na Planície Costeira Interna.
 
O dirigente considera que a Conab foi incapaz de adequar-se à forma de Mendes Ribeiro Filho conduzir o MAPA, obstaculizando o processo de recuperação dos preços e produzindo quadros de oferta e demanda reajustados de “forma vergonhosa”. Segundo Coutinho, diante da necessidade de levar os estoques ao mercado, o MAPA conduziu o processo de forma adequada, sem permitir que houvesse ganho individual, remunerando o dinheiro público investido, com preços adequados ao consumidor e, principalmente, sem prejuízos ao produtor. “Agora diante dos valores propostos no leilão, a Conab, em contrariedade a tudo o que foi construído, tenta lançar o mercado em direção ao abismo”, argumenta.
 
A Federarroz pediu ao ministro Mendes Ribeiro Filho uma reunião com a cadeia produtiva para debater o assunto. “O governo federal deve administrar os estoques em acordo com a demanda e a preços condizentes com o cenário de comercialização. É isso que a cadeia produtiva espera”, finaliza Renato Rocha.
 
NOVO PREÇO - No final da tarde desta quarta-feira a Conab divulgou os novos preços do arroz em casca para os avisos 409 e 410, com média ponderada de R$ 34,25, seis reais acima do edital anterior (410/12).