O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Renato Rocha, disse nesta terça-feira (23/10), em Brasília, após reunião com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que 60% dos produtores de arroz estão fora do crédito rural oficial e são obrigados a recorrer ao setor privado, pagando juros mais altos, para custear o plantio da safra.

Em companhia do deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), representantes da Federarroz e da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja/RS), se reuniram com Nelson Barbosa para cobrar do governo uma resposta ao pleito de alongamento das dívidas, apresentado no ano passado. Heinze afirmou que Barbosa prometeu que uma nova reunião será realizada dentro de duas semanas, para levantar o montante do passivo e apontar soluções para resolver o impasse.

Segundo o deputado, no mais recente levantamento realizado, a dívida foi estimada em R$ 5 bilhões, valor que será atualizado, juntos aos bancos oficiais e privados, para saber qual o montante das dívidas de custeio, comercialização e investimento. A proposta dos produtores é de alongamento por 35 anos no caso das dívidas dos arrozeiros e de 20 anos para os produtores de soja.

Heinze explica que no caso da soja as dívidas referem-se à região noroeste, que nos últimos anos vem sendo castigada pela estiagem. Segundo ele, as medidas anunciadas pelo governo para prorrogação de dívidas "são paliativas, pois não resolvem o problema crônico que se arrasta há muitos anos". O deputado diz que sem crédito oficial os produtores utilizam recursos próprios e recorrem aos "cerealistas, tradings e revendas de insumos e de peças, que estão financiando a próxima safra".

Renato Rocha comentou que, além de pagar juros mais altos, os produtores estão investimento menos em tecnologia, o que compromete a produtividade das lavouras. Ele calcula que o endividamento acumulado pelos rizicultores nos últimos anos soma R$ R$ 3,1 bilhões. Na opinião do dirigente, os produtores não têm condições de pagar as dívidas, mesmo com os bons preços atuais, porque 80% dos produtores venderam a safra no primeiro semestre, quando os preços estavam entre R$ 23 a R$ 24 a saca, bem abaixo dos R$ 38 de hoje.

O presidente da Federarroz também discutiu no Ministério da Agricultura a proposta apresentada ao governo na última sexta-feira (19/10), de redução da oferta e aumento na periodicidade dos leilões dos estoques oficiais de arroz que vem sendo realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Ele afirma que, em virtude dos leilões, os preços já caíram entre R$ 1 a R$ 2 a saca, num momento em que os produtores estão vendendo o estoque remanescente para quitar dívidas de custeio que não foram prorrogadas ou se capitalizar para bancar o plantio. Rocha diz que o mercado está sem liquidez, pois as indústrias comprometeram o capital de giro arrematando o arroz nos leilões e agora não têm dinheiro em caixa para adquirir o cereal ofertado pelos produtores.