O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, pediu um prazo de duas semanas para finalizar o estudo sobre o endividamento acumulado dos produtores de arroz e soja e finalizar uma proposta de renegociação dos débitos. O anúncio foi feito durante reunião nesta terça-feira, em Brasília, com o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP/RS) e dirigentes de entidades representativas dos dois segmentos, que foram cobrar uma resposta ao pleito apresentado ainda em agosto do ano passado.

O deputado Heinze afirmou que a situação dos produtores gaúchos é crítica e que o governo precisa anunciar com urgência um pacote de ajuda aos arrozeiros e sojicultores. “Não há mais como postergar. O governo precisa atender os produtores e permitir o refinanciamento dessa conta. Em 2011, quando cobramos uma solução, tínhamos uma realidade. Hoje, há que considerar ainda as perdas que ocorreram em conseqüência da estiagem e que elevaram ainda mais o endividamento dos produtores. Sem renda, não tem como pagar o banco. Não pedimos perdão, apenas condições de pagar a conta”, expõe Heinze.

A proposta apresentada em 2011 previa prazo de 35 anos para liquidação das dívidas dos orizicultores estimada em R$ 3,1 bilhões, com juros de 2,5% ao ano e carência de 24 meses. Os sojicultores de 69 municípios das regiões das Missões e da Grande Santa Rosa atingidos pela estiagem calculavam um passivo de R$ 2,5 bilhões e pediam 23 anos para liquidação da conta com 36 meses de carência e juros de 2% ao ano. “A situação da soja hoje é muito pior. A falta de chuvas acabou com mais da metade das lavouras em pelo menos 340 cidades do estado”, explica.

Durante o encontro com Barbosa, Heinze também reclamou das instituições financeiras que não cumprem as resoluções que foram editadas pelo Banco Central do Brasil em socorro aos agropecuaristas que tiveram prejuízos pela escassez de água. Segundo o deputado, as determinações foram paliativas e não resolveram o problema. “Foram publicadas sete resoluções. Um emaranhado de regras que só causou confusão e dificultou a prorrogação dos investimentos e dos custeios. Com todas essas regras, os bancos continuam pressionando os produtores e, inclusive, incluindo-os nos mecanismos de proteção ao crédito”, destaca.

BANCO CENTRAL - Após a audiência no Ministério da Fazenda, o grupo liderado pelo deputado Luis Carlos Heinze participou de uma reunião com o responsável pelo Departamento de Regulação, Fiscalização e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro – Derop – Deoclécio Pereira de Souza. Heinze pediu um levantamento detalhado das operações de crédito rural em normalidade e inadimplentes dos produtores de arroz e soja. “De posse desses dados atualizados teremos mais argumentos para negociar com o governo”, avalia Heinze.