O Conselho Monetário Nacional (CMN) divulgou ontem, dia 06, a Resolução 4.134. A norma alterou a de número 4.048 e concedeu mais cinco anos adicionais para pagamento das operações de custeio da atual safra. A partir de agora os produtores terão até 10 anos para o desembolso do financiamento. No entanto, a determinação do Banco Central só beneficia quem comprovar prejuizo superior a 30% e desde que o empréstimo não esteja coberto por qualquer modalidade de seguro.

O deputado federal Luis Carlos Heinze (PP/RS), vice presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária da Câmara dos Deputados, criticou a resolução e disse que a decisão do governo é praticamente inócua. O deputado também reclama do dispositivo que orienta os bancos a fazerem análise individual das propostas e a reclassificação da operação para recursos obrigatórios. "Esse é mais um anúncio que não trará benefício algum ao produtor. Pelo contário, quem se enquadrar em todo o crivo do banco, com certeza, ficará com restrições para acessar um novo financiamento. O governo retira sua responsabilidade e passa para os bancos. Um absurdo", avalia.

Heinze se reuniu nesta semana com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, e voltou a cobrar a divulgação de um amplo pacote de renegociação de dívidas. Ele defende as propostas apresentadas pela Federarroz e Aprosoja que prevêem 35 anos para pagamento dos débitos dos produtores de arroz e 22 anos para os sojicultores. "Negociamos com o governo há mais de um ano e até agora não temos resposta alguma do que foi proposto. Um descaso com o setor que sustenta este país. Agora divulgam medidas que sabem que ninguém será beneficiado", reclama.

O parlamentar gaúcho promete uma nova ofensiva para a próxima semana. "Vou voltar a conversar com o ministro. O governo precisa entender que queremos soluções, não medidas que sequer podemos dizer paliativas. Ninguém quer perdão, apenas condições para pagar a conta", afirma. As informações são da assessoria de imprensa do deputado Heinze.