Sem acordo entre governo e ruralistas, a base do governo na Câmara tenta votar na marra a medida provisória que modifica o novo Código Florestal. A atitude do governo de colocar o assunto em discussão é vista pelos ruralistas como uma forma de pressionar a bancada. Em reunião na tarde de hoje, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse a deputados ruralistas que a MP 571 seria votada hoje, "mesmo sem acordo".

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que não é possível dar garantias de que a presidente Dilma Rousseff não vai suprimir pontos do texto. Ele apontou a declaração dada pela chefe do Executivo federal na semana passada, de que o governo estava aberto a negociações, mas não tinha compromissos pelos acordos dos quais não fez parte.

Chinaglia disse que os produtores brasileiros serão prejudicados se os ruralistas derrubarem a sessão que analisa a MP. "Se [a MP] caducar, estaremos prejudicando de imediato 96% dos produtores do Brasil", disse. "O governo está aberto a negociações, mas não aceita acordos feitos sem ele", disse petista.

Após o início das discussões, a bancada ruralista apresentou um requerimento para retirar o Código Florestal da pauta. O requerimento foi derrotado. No entanto, houve pedido de verificação de quórum, além de votação individual. Para tentar derrubar a sessão, parlamentares de diversos partidos entraram em obstrução.

Até agora, o número de deputados é insuficiente para continuar os trabalhos. É necessário um mínimo de 257 parlamentares em plenário. Sem quórum, a sessão deveria ser encerrada, mas o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que vai deixar a votação em aberto "até que um acordo saia".

O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) disse que durante a reunião deste tarde com a ministra não houve solução para o impasse. "A Ideli sinalizou que o governo tentaria votar sem acordo e nós avisamos que iríamos obstruir", disse. Heinze e outros deputados estão, neste momento, se mobilizando para derrubar a sessão.