O entendimento entre os países do Mercosul nas questões comerciais poderá ampliar o comércio entre seus países membros, além de fortalecer o bloco econômico na conquistas de mais mercados para os produtos agropecuários. A afirmação é do vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Rivaci Sperotto, que participou na sexta-feira (15-4) do ciclo de discussões “Agricultura em debate”, promovido pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado para discutir o impacto das assimetrias do bloco na atividade rural. “Há dificuldades políticas e diferentes graus de desenvolvimento. Mas temos condições de construir uma posição conjunta”, afirmou.

Ao defender o entendimento no bloco, Sperotto justificou também que o Mercosul será “o grande fornecedor de alimentos ao mundo”, diante da dificuldade de outros países em aumentar suas áreas de produção. “Temos mais 150 milhões de hectares de terra para usar”, destacou o dirigente, que também preside a Comissão Nacional de Relações Internacionais da CNA. Em busca de alternativas que atendam aos interesses do setor agropecuário nos países do Mercosul, Sperotto citou o avanço das discussões sobre temas como a erradicação da febre aftosa e a mosca da bicheira, doenças que afetam o rebanho bovino, que já resultaram em ações práticas de controle sanitário nos quatro países que integram o bloco: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Ele lembrou que houve várias reuniões para propor soluções para reduzir a assimetrias no Mercosul, tanto no âmbito governamental quanto nos encontros da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM), entidade que reúne as principais entidades representativas dos produtores rurais dos quatro países membros do bloco. Ressaltou, ainda, que apesar das divergências, o Mercosul já tem 20 anos de existência, fator que “pode ser considerado uma vitória”. O vice-presidente disse, ainda, que a criação de um Parlamento para o Mercosul também reforçaria as discussões em busca de um entendimento comercial.

O deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que também participou do debate, disse que, com as assimetrias no Mercosul, o produtor rural brasileiro perde competitividade para os países vizinhos por ter um custo de produção mais alto. Citando a região Sul como exemplo, ele afirmou culturas o trigo, o arroz, a uva e o alho estão entre as culturas mais prejudicadas com as distorções entre os países. “Enquanto um produtor do Paraguai para R$ 390 mil por uma colheitadeira, aqui ele paga R$ 590 mil. O frete para transportar a produção do Uruguai até o Nordeste é US$ 60 por tonelada. Do Rio Grande do Sul até o Nordeste, o mesmo frete é US$ 110”, disse.

Já a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Lacerda Prazeres, apresentou dados sobre a balança comercial do agronegócio do Brasil com os países do Mercosul. De janeiro a março deste ano, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 28,1% em relação aos primeiros três meses do ano passado. No mesmo período, as importações aumentaram 17,2%. Outro participante do debate foi o diretor do Departamento do Mercosul do Ministério das Relações Exteriores, Bruno Bath, que também defendeu um entendimento no bloco para ampliar o comércio.