Ser oposição ou situação em relação ao governo federal deveria ser uma atitude calculada sob o ponto de vista mais amplo, que alcançasse toda a vida política de um parlamentar. Um homem público não pode simplesmente rasgar a sua própria história política para assumir uma posição que contraria toda a sua luta ideológica e partidária.

Um cidadão que tem na origem de sua família os ideais do PSD e do PL, mais tarde se filia ao PDS e constrói toda uma vida pública, de prefeito de São Borja e deputado federal, por três legislaturas, sempre sintonizado com os mesmos pensamentos partidários. Esta é a síntese de nossa vida pública. Note-se que, durante todo este período, não mudamos. O partido, sim. Era PDS, passou a PPR, PPB e hoje é PP. Mudou a sigla, mas, pelo que me consta, continua a ter os mesmos ideais de antes. Ideais que não estão afinados com os do Partido dos Trabalhadores, agremiação que sempre foi uma adversária ferrenha do atual PP, principalmente, no Rio Grande do Sul.

É verdade que o PT mudou o rumo do seu discurso rancoroso e extremista. Ainda assim, entendo que não há coerência em nos posicionarmos totalmente como situacionistas. Mesmo sabendo que existem inúmeras benesses governamentais para quem “muda de lado”, precisamos nos conscientizar de que existem inúmeros prejuízos morais e eleitorais para quem se seduz oportunisticamente pela mudança. Por que no fundo seus ideais de esquerda ainda persistem.

A questão não é material. É de uma riqueza infinitamente superior, a quem chamamos de “ideologia”. O homem é o reflexo de sua história e eu reflito a minha, com retidão e coerência. Não posso estar ao lado do quem sempre combati. Não posso aceitar tapinhas nas costas de quem sempre só me atirou pedras. O processo de mudar da oposição para a situação é, a meu ver, tão ultrajante quanto à troca de partido, sem que haja uma explicação lógica, que justifique a mudança. Não posso crer que um governo petista receba apoio de partidos adversários tão logo seja declarado vencedor. Mudanças súbitas, repentinas e que não entram na cabeça dos eleitores.

Tenho, portanto, a minha história pública e é nela que espelho minhas ações. Os valores éticos e morais que conheci de meus pais são como obrigações diárias, que persigo diuturnamente. Valores que me levaram a votar a favor em todos os pedidos de cassação de mandato parlamentar, mesmo os de deputados do meu próprio partido. Acima do coleguismo (aliás, muito acima) estão os princípios morais e a responsabilidade com o cidadão brasileiro.

Se ser situacionista é não assinar pedidos de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) –, então posso afirmar, com a mais absoluta certeza, que sou oposicionista, pois nunca me neguei e nem me negarei a assiná-los. Todas as CPI´s, inclusive as que foram sugeridas no governo FHC, tiveram o meu apoio. Sou um defensor intransigente de que se apurem todas as denúncias, que se esclareçam todas as dúvidas. Como sou também defensor de que os culpados sejam exemplarmente punidos, de acordo com o que estabelece a lei.

Enoja-me, sim, ver o oceano de impunidade em que está afundada esta Nação. Enoja-me ver, tradicionais adversários e até mesmo inimigos, hoje aliados tão somente pela sede do poder e pelo desejo obscuro de liberar recursos do Orçamento da União, que sabe lá, serão devidamente aplicados. É um mar de lama e de sujeira que tem origem no Executivo e se ramifica no Legislativo, Judiciário e, até mesmo, nos Tribunais de Contas.  

Não posso me distanciar dos valores e dos ideais que permeiam toda a minha vida pública. Seria trair a confiança daqueles que me elegeram, pois eles conhecem muito bem os meus pensamentos e as minhas atitudes. Não posso aceitar e concordar com um governo que se alia aos banqueiros, empresas de petróleo, grandes empreiteiras e mega empresários – patrocinadores da sua campanha - para se perpetuar no poder, enganando e explorando a classe média, produtores rurais, pequenas indústrias, comércio, cooperativas, cerealistas e trabalhadores.

É inconcebível uma aliança com um governo que, preocupado em desapropriar milhares de famílias de agricultores para dar terra a alguns índios, permite todos os privilégios ao MST e a outros tantos movimentos que se dizem sociais, financiando-lhes suas arruaças com dinheiro público, enquanto mais de três milhões de pequenos produtores vivem na miséria absoluta. Quanto mais esses movimentos desobedecem à lei, rasgam a Constituição, invadem propriedades e denigrem a honra das autoridades, mais são prestigiados pelo presidente da República.

Sem me afastar da responsabilidade que tenho com o País e com o povo brasileiro, não posso compartilhar idéias com gente que idolatra Hugo Chavez e Fidel Castro, como modelos de líderes democráticos. No outro extremo, esse mesmo governo, compactua com interesses americanos, europeus e japoneses que exploram as riquezas e pregam a internacionalização da Amazônia, sem ao menos pagar um centavo a Nação.  

A vida pública já é transparente pela própria nomenclatura. É pública. Portanto, precisa ser notória. A minha é. Meus eleitores sabem que não fazemos oposição pelo simples desejo de ser do contra. Eles conhecem muito bem os pontos de conflitos que existem. Sabem que irei até as últimas conseqüências para defender a honra, a moral e a ética.