A inserção do Brasil no mercado globalizado e os compromissos internacionais assumidos pelo País, expressos na Agenda 21, mostram claramente que o melhor caminho a ser seguido pela agricultura está no Plantio Direto na Palha.

De fato, em um cenário de abertura comercial, em que as exigências ambientais são flagrantes, aliadas à necessidade de maior competitividade, o produtor rural é remetido, inexoravelmente, ao Plantio Direto. O Brasil precisa se inserir no mercado globalizado, em que a exploração racional já é uma palavra de ordem, gerando mais empregos, divisas e segurança alimentar.

O Plantio Direto é a alternativa mais segura, sem dúvida alguma, para uma agricultura sustentável, que proteja água, solo, ar, biodiversidade, diminuindo riscos climáticos. E o que é melhor: a agricultura conservacionista, orgânica, biológica ou ecológica – não importa o nome que queiram dar – é de ponta e dá lucro para o produtor.

O Plantio Direto é um sistema de exploração agropecuária que envolve a rotação de culturas, correção da fertilidade do solo, mobilização do solo apenas na linha de semeadura e o controle da erosão através da manutenção da palha na superfície. A tecnologia está crescendo no Brasil, mas em ritmo que ainda não pode ser considerado ideal. O pequeno produtor rural não tem acesso a ela, como deveria ter. É preciso que o governo federal entre de corpo e alma nesta questão, incentivando a utilização da nova tecnologia e criando uma linha de crédito específica para o produtor que queira plantar diretamente.

É preciso mais: que os ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia, Minas e Energia e Desenvolvimento Agrário trabalhem incansavelmente para a expansão desta técnica agrícola no Brasil, democratizando sua utilização.

Tudo isto acontece exatamente no momento em que a ONU “descobre” uma verdade que já sabíamos desde pequenos: que o Brasil tem potencial para se tornar o maior produtor agrícola mundial nos próximos 12 anos. Esta avaliação, feita pela Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Comércio (Unctad), mostra que o Brasil tem 90 milhões de hectares de terras potencialmente aráveis, virgens. Portanto, estamos defendendo o Plantio Direto em Palha em um País que já ameaça a liderança dos Estados Unidos nos mercados de soja e de carnes.

Podemos ser o maior produtor agrícola mundial, sem ameaçar o planeta. Foi com este pensamento que reunimos, no último dia 09 de julho, na Câmara dos Deputados, vários representantes do governo federal e da Associação Brasileira de Plantio Direto na Palha para buscarmos fórmulas de incentivo à nova tecnologia no País.

A idéia foi muito bem recebida por todos os presentes. Tanto assim, que já estamos organizando um encontro mais amplo, com um maior número de participantes, para que possamos discutir a questão com mais subsídios.

Cada um dos participantes do encontro já está trabalhando dentro de seus ministérios para buscar soluções para o setor em suas áreas. Afinal, saímos todos do encontro convictos de que o Plantio Direto é uma conquista não apenas do produtor rural, mas de todo o mundo. Ganha o produtor, ao diminuir custos e aumentar a produtividade, ao controlar a erosão, ao reduzir as operações de lavração e gradeação compactantes do solo, ao reduzir o uso de óleo diesel e ao conseguir maior rentabilidade em suas lavouras.

Ganha o consumidor que terá um produto mais saudável na mesa.

Ganha o mundo, que poderá olhar o futuro com mais otimismo, sabendo que hoje estamos mantendo os recursos hídricos existentes e contribuindo significativamente para a redução dos índices de dióxido de carbono lançados na atmosfera. As áreas de plantio direto não terão mais a cota de participação na emissão de gases que afetam a camada de ozônio. Todos nós estaremos ganhando ao saber que o planeta Terra será preservado, que a vida estará garantida.

E não há nada mais reconfortante do que saber que estamos deixando um mundo melhor para os nossos filhos.