O MST continua andando perigosamente na contramão da história coerente com sua tradição de fazer piquenique à beira do abismo e de pôr em risco a disposição anunciada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer a reforma agrária pacificamente e dentro da lei.

No último dia 19, o MST inovou para pior sua estratégia de atuação política. Em Pernambuco, invadiu e destruiu uma usina de cana-de-açúcar e todos os equipamentos e maquinários agrícolas nela depositados. Não satisfeito em continuar invadindo propriedades na marra, o movimento invadiu, no dia 23, pela segunda vez em sete dias, uma fazenda de experimentos com milho transgênico da empresa Monsanto, em Ponta Grossa, no Paraná. Na semana anterior, 3 hectares de milho transgênico da mesma propriedade haviam sido queimados, após invasão de aproximadamente 3 mil militantes do movimento.

Um dos líderes do MST anunciou – pasmem, que o movimento, em parceria com integrantes da Via Campesina, organização internacional que congrega movimentos auto-intitulados de "defesa e melhorias no campo", continuará invadindo as terras em que constatarem a presença de matrizes transgênicas.

A ameaça do MST precisa ser analisada com total atenção, tanto pelo Presidente da República como pelas pessoas interessadas em manter a estabilidade política e em impedir que a ação de agentes provocadores nacionais, em conluio com agentes provocadores internacionais, ponha a perder o projeto de pacificação conduzido pelo Presidente Lula.

A ação desse grupo acontece justamente às vésperas do anúncio do primeiro plano de safra do Governo Luiz Inácio Lula da Silva, em meio aos festejos da estimativa que pode ultrapassar a 115 milhões de toneladas de grãos colhidos. A ousadia dessa gente pode trazer de volta a instabilidade no campo, logo agora que o agronegócio se tornou o grande mensageiro das boas notícias. 

Trata-se de grande ilusão política acreditar que a euforia dos produtores que querem continuar dando boas notícias para a sociedade brasileira possa conviver com o acirramento da agitação e da violência no campo.

O líder do MST no Paraná cometeu suprema insanidade e atropelou a legalidade ao dizer que qualquer fazendeiro que plantou transgênicos vai ser obrigado a se retratar dizendo que foi enganando pela Monsanto, ou então, terá suas terras invadidas pelo MST.

O jornal O Globo, em editorial, reprovou enfaticamente a ação do MST e a sua alegação de que estão protegendo o País sendo contra a venda de transgênicos.

Diz o editorial:  "(...) descartados os argumentos a favor da invasão, resta a assustadora evidência de que o MST, sem terras a conquistar, tenta manter-se nas manchetes, arrogando-se o direito de ser, simultaneamente, juiz e polícia do Brasil rural."

No mesmo jornal, a colunista Míriam Leitão criticou os atos de protesto do MST, que bloqueou estradas federais em Pernambuco, atrasando a distribuição de cestas básicas, e saqueou um caminhão de 5 toneladas de arroz no Rio Grande do Sul. Para a jornalista, a atitude do MST, que conseguiu emplacar gente sua nas superintendências do INCRA, órgão encarregado de fazer a reforma agrária dentro da paz e da lei, como quer o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem um nome, chama-se provocação. Ela ainda chama a atenção para o fato de o Presidente ter se reunido com os líderes do MST dois dias antes de tais acontecimentos.

A jornalista foi bastante feliz em intitular a nota em que critica a atitude do movimento de Ovo de Serpente. Esses insensatos provocadores estão chocando perigosamente o ovo da serpente, que, se não for gorado, colocará em risco todo o trabalho de pacificação social e política pretendida pelo Presidente Lula e almejada pelas forças vivas da Nação.

É imensa ingenuidade política acreditar que é possível compatibilizar aumento da produção agrícola com agitação no campo. As duas coisas não podem jamais andar juntas. A radicalização do MST só agrada os defensores do quanto pior melhor e os nossos principais concorrentes, que estão assustados com os extraordinários ganhos de produtividade alcançados pelo agronegócio brasileiro.

Que o bom senso e a cautela voltem a pairar no campo.