No Século XX, o “Século da Informática”, o Brasil criou barreiras para que esta ciência se desenvolvesse plenamente em seu território. A história provou o tremendo erro que foi cometido. Erramos e – o que é pior - não aprendemos ainda. Começamos o Século XXI, denominado como o “Século da Biotecnologia”, repetindo os mesmos erros do passado e corremos o risco de pagar um altíssimo preço por esta persistência.

Já estamos correndo contra o tempo. Os campos agrícolas de experimentos com transgênicos começaram a ser desenvolvidos desde 1986. Hoje, são mais de 25 mil experimentos realizados em 45 países. Uma relação que não consta o nome do Brasil, mas tem países como Estados Unidos, China, Canadá, Austrália, Cuba e México.

Na América Latina, a corrida tecnológica adquiriu uma velocidade e uma diversidade indescritíveis. O número de laboratórios públicos e privados, que desenvolvem pesquisas com plantas transgênicas, cresce a um ritmo alucinante. O Brasil precisa se inserir nesta corrida, urgentemente.

Nos Estados Unidos, quase 50 transgênicos foram liberados para comercialização e Cuba tem 160 produtos em escala industrial em 50 países. O Brasil possuía cerca de 300 experimentos em 2000, que foram reduzidos para apenas quatro este ano. Estamos, portanto, na autêntica contramão desta corrida tecnológica, que trará reflexos negativos em nossa produção agrícola, em nossa distribuição de renda com a oferta de alimentos, e ainda nos níveis de emprego.

A biotecnologia é uma realidade mundial, mas o Brasil fecha os olhos para esta biorrevolução, preferindo abrir seus ouvidos à ladainha de ambientalistas, fundamentalistas e ideólogos estrangeiros, das ONGs como o Greenpeace, WWF e Brasil Livre de Transgênicos. Entidades interessadas em manter o “Brasil Colônia”, dependente cada vez mais dos países ricos, exatamente de onde surgiram estas ONGs.

Dizer que o brasileiro não consome produtos transgênicos, todos sabemos, é mentira. A verdade que precisaria ser dita é que o brasileiro consome produto transgênico importado, vindo do exterior. A soja da Argentina é apenas um exemplo.

O Brasil, portanto, já está com um grande tempo irremediavelmente perdido. É preciso inverter este quadro e precisamos começar já, com toda a atenção e dedicação para a próxima safra agrícola. Precisamos aprovar uma legislação moderna, que permita o plantio, a pesquisa e a comercialização de organismos geneticamente modificados (OGM). E ainda evitar o desmonte da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CNTBio, que está em curso no governo federal.

O Brasil precisa integrar – com condições de liderar – a lista dos maiores países produtores de alimento. Afinal, temos terra para plantar e produtores que só pensam em trabalhar e levar comida à mesa da população.

Uma população que continuará crescendo. Projeções apontam para 10 bilhões de moradores no planeta Terra no ano de 2.050. Para suprir estas 10 bilhões de bocas famintas será necessário um crescimento de 70% na produção agrícola. E este crescimento terá de ser alcançado com a diminuição dos custos de produção, principalmente com o uso de inseticidas e herbicidas, que hoje custam R$ 1 bilhão por ano ao País. Este custo pode ser reduzido em até 50%, o que significa maior renda para o produtor e alimento mais barato para o consumidor, porque o alimento transgênico não necessita de inseticidas, na maioria dos casos.

Alimento em grande quantidade, por um preço baixo, com toda a segurança para a saúde do consumidor. São, portanto, estas três qualidades que podem definir e sintetizar a biotecnologia. Mas, não podemos esquecer as diversas outras causas da utilização da transgenia, como a alta competitividade agrícola, que colocará o Brasil definitivamente na linha de frente da agropecuária mundial; o crescimento das exportações, gerando mais divisas para o País; oferta ampla de alimentos, que significa também maior distribuição de renda e combate à fome e à miséria; e, finalmente, no crescimento das ofertas de emprego.

Por tudo isso, o mundo inteiro está correndo velozmente em direção à biotecnologia. O Brasil corre o risco de continuar na contramão da história, a exemplo do que ocorreu com a informática. Estamos persistindo no erro, o que, segundo o jargão popular, é burrice.